Hoje, apetece-me escrever, partilhar a minha
historia, a minha vida, as minhas lições… Quem sabe, pode vir a ser útil para
alguém, alguém quem ja se tenha sentido perdido… sem rumo… sem definição para a
vida.
Eu nasci num berço de ouro, sim acho que posso
afirmar isso, tinha tudo, nunca me faltou nada, era feliz, tinha uma família
feliz, roçava a perfeição… Até o berço os meus pais venderam!
De repente, sem bater a porta, a miséria e o
desespero entraram casa dentro, agarrados ao meu pai, sem sequer pedirem
licença, vejam só. Tudo mudou, as flores murcharam, os sorrisos desapareceram, o
sol escondeu-se… Amigos nem ve-los, familía só no nome… Familia separada!
Aquela doce cara, que me acordava todos os dias
com colegas nos pés, decide fugir. Sem coragem, sem força, acima de tudo sem
esperança, aquela rica mãe sente que precisa de um novo rumo, uma nova vida, de
um recomeço… quem é que a pode culpar! e
parte, sem ser capaz de olhar para trás, com medo que aquelas duas caras que ao
longe lhe dizem adeus, com as lagrimas nos olhos, a impedissem de seguir o seu
novo caminho. Quem diria que uma almofada era capaz de absorver tanta lágrima
perdida num choro de uma “criança”… De dois meninos, que na altura, sem
perceber muito bem o porque, viram-se-lhes a sua Afrodite, a mulher das suas
vidas, o modelo de mulher perfeita, desaparecer na imensidão daquele lugar, que
ja viu beijos mais sinceros do que num casamento. Naquele momento, perdemos o
timoneiro da nossa vida!
Não sabia, nem conseguir personificar a
tristeza, pois então bastou-me olhar para os olhos do meu pai. Nunca antes
tinha visto uma alma tão desamparada, triste, desesperada sem saber o que
fazer, com o que contar, especialmente estava ali um homem que sem o saber, vai
ter que criar um menino sozinho.
No final do dia de trabalho, relaxado no banho,
dava por mim a pensar - “o que raio é que o pai vai fazer quando tiver que
chamar a atenção aquela peste?”. Aquele homem que nem sabia onde se meter,
vendo qualquer um dos rapazes chorar… -“Certamente que haverá ocasiões que terá
que ser duro e exigente” - pensava eu cá com os meus botões.
Das fraquezas virou forças, à fadiga foi buscar
vitalidade, a dor deu lugar à esperança…
O gordo é agora o herói daqueles dois miúdos! Para o gordo aqueles dois miúdos
são o mundo!
E tu? Já disses-te Amo-te hoje?
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